Nero é a Besta do Apocalipse?
A verdade que muita gente ignora
por: Uismael Freire
“Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis.” Apocalipse 13:18 (NTLH)
Se tem um personagem que sempre dá pano pra manga no mundo cristão é a tal da Besta do Apocalipse. Você provavelmente já ouviu alguém dizendo que ela é um político europeu, o papa, a ONU, ou até um chip implantado na testa. Mas e se eu te dissesse que a Besta já existiu… e foi derrotada no século I?
Pois é. A ideia de que a Besta ainda vai surgir no futuro pode estar bem longe da verdade bíblica. E nesse artigo a gente vai investigar isso a fundo. Vem comigo descobrir por que tanta gente séria acredita que a Besta do Apocalipse é, na verdade, Nero, o imperador romano. E prepare-se: isso pode mudar a forma como você lê o Apocalipse para sempre.
O mistério do 666: não é simbólico, é um nome
Vamos começar pelo famoso número da Besta: 666. Não tem como falar da profecia de Apocalipse sem esbarrar nele. Mas, diferente do que dizem por aí, esse número não é simbólico nem místico. João, o autor do Apocalipse, deixa claro que é número de um homem.
No texto original, João não faz mistério: “Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis.” (Apocalipse 13:18 – NTLH)
E se é pra calcular, então bora calcular.
No hebraico, o nome do imperador romano Nero pode ser transliterado como “Neron Qesar” (nrwn qsr). E aí entra a gematria um sistema judaico antigo onde cada letra tem um valor numérico. Quando você soma os valores das letras desse nome, dá exatamente 666:
- n (nun) = 50
- r (resh) = 200
- w (waw) = 6
- n (nun) = 50
- q (qoph) = 100
- s (samech) = 60
- r (resh) = 200
- Total = 666
Isso não é coincidência. É cálculo. É sabedoria. É exegese séria.
Mas… por que João escreveria isso em hebraico?
É aí que entra uma das críticas mais comuns: “Mas o livro do Apocalipse foi escrito em grego! Por que João usaria um código em hebraico se os destinatários eram gregos?”
Boa pergunta. Mas não tão boa assim quando você entende o contexto.
O grego era sim a língua internacional da época, como o inglês hoje. Mas João era judeu, e a simbologia do Apocalipse está repleta de referências ao Antigo Testamento um texto hebraico. Ou seja: a mente dele era hebraica. E muitos dos primeiros cristãos da Ásia Menor eram judeus ou sabiam ler as Escrituras Hebraicas. Então usar a gematria hebraica não é absurdo, é natural.
Segundo Hank Hanegraaff, no livro “O Apocalipse Uma Perspectiva Ortodoxa”, mais de dois terços dos 404 versículos do Apocalipse fazem referência direta ao Antigo Testamento. Isso já te dá uma pista do pano de fundo da mente de João.
O argumento de que “não era hebraico” já caiu por terra
Lucas Banzoli, por exemplo, insiste que João jamais escreveria algo assim para leitores que não falavam hebraico. Mas esse argumento ignora que o Apocalipse é um livro cheio de enigmas, e o uso de códigos fazia parte da literatura apocalíptica judaica. E mais: vários estudiosos já derrubaram essa ideia.
Kenneth L. Gentry Jr, um dos maiores nomes do preterismo, afirma:
“Tem sido documentado por descobertas arqueológicas que uma grafia hebraica do nome de Nero, do primeiro século, nos fornece precisamente o valor 666.”
Gentry ainda reforça que a grafia “Neron Qesar” foi encontrada em inscrições hebraicas da época. Ou seja, era uma forma comum de se referir a Nero entre os judeus.
E ele não tá sozinho nessa. John A. T. Robinson, renomado teólogo britânico, declarou que:
“A solução ‘Nero’ é de longe a mais amplamente aceita.”
Quer mais um? Bruce M. Metzger, uma das maiores autoridades em crítica textual do Novo Testamento, também confirma que o número 666 refere-se a Nero em gematria hebraica.
E não para por aí. Marcus Jastrow, no seu dicionário talmúdico, e Charles Briggs, coautor do famoso Hebrew and English Lexicon, validam essa transliteração também.
Mas e o tal “Nun final” que vale 700?
Outro argumento que tentam usar contra essa interpretação é que, na gematria, quando a letra “Nun” aparece no fim da palavra, seu valor seria 700, não 50. Isso destruiria a conta de 666, certo?
Errado.
Kenneth Gentry rebate isso dizendo que há diferentes formas de gematria, e a variação que ele usa (e que a maioria dos eruditos considera legítima) trata o “Nun final” como 50. Isso é reconhecido em obras clássicas como:
- The Targumim, the Talmud Babli and Yerushalmi (Marcus Jastrow)
- A Textual Commentary on the Greek New Testament (Bruce Metzger)
- Apocalypse (R.H. Charles)
Ou seja, quem tenta invalidar o número 666 dizendo que o Nun final vale 700 está indo contra o consenso acadêmico. E convenhamos: é mais fácil aceitar o que dezenas de estudiosos respeitados afirmam do que se agarrar a um detalhe técnico mal interpretado.
A perseguição de Nero encaixa perfeitamente com Apocalipse
Agora que a parte técnica foi desvendada, vamos olhar para a história. Nero foi o primeiro imperador romano a perseguir cristãos oficialmente. Em 64 d.C., ele acusou os cristãos de terem incendiado Roma, jogou vários deles nas arenas, os queimou vivos e os crucificou como espetáculo público.
O Apocalipse descreve um tempo de intensa perseguição e tribulação. Coincidência? Nem um pouco.
Apocalipse 13:7 (NTLH) diz:
“A Besta recebeu permissão para lutar contra o povo de Deus e vencê-lo. Ela recebeu autoridade sobre todos os povos, tribos, línguas e nações.”
Isso não é descrição de um ditador moderno. Isso é o retrato do que aconteceu sob Nero. Ele literalmente tentou eliminar os seguidores de Cristo do mapa.
O número da Besta: 666 ou 616?
Talvez você já tenha ouvido falar que alguns manuscritos antigos trazem 616 em vez de 666. Isso derruba a tese de Nero?
Na verdade, reforça.
Quando se usa a forma latina do nome de Nero “Nero César” a soma dá 616. Ou seja: o número foi ajustado para bater com a gematria latina. Isso mostra que os primeiros cristãos já associavam esse número ao nome de Nero e adaptaram conforme a língua local. Estratégia pura.
Por que isso importa tanto?
Você pode pensar: “Ok, mas o que muda na minha vida saber que Nero foi a Besta?”
Muda tudo.
Porque se a Besta foi um personagem do passado, então as profecias mais assustadoras do Apocalipse não estão no nosso futuro estão no nosso passado. O juízo que João profetizou foi contra Jerusalém e o império que perseguiu o povo de Deus. E isso muda completamente a forma como você enxerga o plano de Deus.
Se a Besta foi Nero, então o Apocalipse não é um livro de medo… é um livro de vitória.
A chave para entender o Apocalipse é Jesus
Você sabia que Jesus já deu um spoiler do Apocalipse? Pois é. Ele fez isso em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21 no chamado Sermão Profético. Ali ele avisou sobre guerras, perseguições, sinais no céu e a destruição de Jerusalém.
E olha o que ele disse em Mateus 24:34 (NTLH):
“Eu afirmo a vocês que isto é verdade: essas coisas vão acontecer antes de morrerem todos os que agora estão vivos.”
A palavra “esta” ali é um pronome demonstrativo próximo. Jesus não estava falando de uma geração futura. Ele estava falando daquela geração do primeiro século.
Ou seja, tudo aquilo que ele descreveu, inclusive a vinda em juízo, aconteceu ali. E o Apocalipse é apenas uma ampliação simbólica disso.
O Reino já chegou. A vitória já foi decretada.
Se você ainda espera o caos do Apocalipse, saiba que a Bíblia ensina outra coisa. O Reino de Deus começou no primeiro século como uma pequena semente um grão de mostarda e hoje está crescendo como uma árvore frondosa (Mateus 13:31-32).
Cristo já venceu. Já colocou os inimigos debaixo dos pés.
“Então chegará o fim, quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todos os poderes espirituais, autoridades e forças. Porque Cristo tem de reinar até que Deus faça com que ele domine todos os inimigos. O último inimigo que será destruído é a morte.” 1 Coríntios 15:24-26 (NTLH)
Conclusão: o passado já foi, o futuro é de esperança
A Besta já foi julgada. O Apocalipse não é um livro de desespero, mas de revelação da vitória de Jesus. Ele já reina. E isso muda sua fé, sua esperança e até sua maneira de viver.
Não perca mais tempo com teorias conspiratórias ou sensacionalismo profético. Jesus é a chave. O Apocalipse é sobre Ele e sobre a vitória dEle sobre todo o mal.
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