Atos 2 e o Cumprimento de Joel 2: Uma Visão que Desafia as Doutrinas Modernas sobre o Espírito Santo

Atos 2 e o Cumprimento de Joel 2: Uma Visão que Desafia as Doutrinas Modernas sobre o Espírito Santo

por: Uismael Freire

Você já parou para refletir se tudo o que você aprendeu sobre o Espírito Santo e os “últimos dias” realmente está na Bíblia? Ou será que muitas dessas ideias vieram de tradições posteriores, interpretações distorcidas e doutrinas baseadas no medo?

Neste artigo, vamos mergulhar numa leitura ousada e provocativa da profecia de Joel capítulo 2 e seu cumprimento em Atos capítulo 2, com base nas análises apresentadas por Uismael Freire, defensor do preterismo completo. Prepare-se para uma jornada que pode desconstruir o que você sempre ouviu sobre dons espirituais, Trindade e o “fim do mundo”.

O Espírito Santo é Deus ou um Dom de Deus?

Vamos direto ao ponto: o Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade ou um dom de Deus, como diz Atos 2? A resposta para essa pergunta muda completamente a forma como você entende a atuação do Espírito na história da salvação.

Uismael Freire propõe que o Espírito Santo, conforme descrito em Joel 2 e Atos 2, não é uma pessoa divina, mas sim um dom, uma promessa derramada para cumprir uma missão específica: preparar a primeira geração cristã para a consumação da Antiga Aliança.

Segundo essa leitura, o conceito de “Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo” não existia no tempo de Jesus ou dos apóstolos. Foi apenas no Concílio de Constantinopla (ano 381 d.C.) que o Espírito Santo foi declarado oficialmente como “terceira pessoa da Trindade”, consolidando uma teologia trinitária com raízes no paganismo greco-romano.

Na mentalidade judaica do século I, Deus era um só. O Espírito de Deus era a força ativa dEle, jamais uma entidade separada ou adorada como pessoa divina. Como diz Atos 2:17: “Derramarei do meu Espírito sobre toda carne”, o que é derramado é um dom, não uma pessoa.

O Derramamento do Espírito: Quem Recebeu e Por Quê?

A profecia de Joel 2:28-32 previa um tempo em que o Espírito seria derramado sobre toda a carne. Isso era revolucionário! Afinal, no Antigo Testamento, o Espírito era reservado a poucos: profetas, reis e sacerdotes.

Com a chegada do “tempo do fim” da Antiga Aliança, essa limitação seria quebrada. Agora, todos inclusive servos e servas teriam acesso às manifestações do Espírito: visões, profecias e sonhos.

Mas atenção: esse derramamento não era para “os crentes de todas as gerações”. O próprio texto de Atos 2 deixa claro que foi para aquela geração, naquele contexto histórico. Tanto que Pedro diz: “Isto é o que foi dito pelo profeta Joel…” (Atos 2:16). Ele não diz “isto é um prenúncio” ou “isso começará agora”, mas “isto é”.

Ou seja: o cumprimento da profecia de Joel se deu ali, no primeiro século. E o propósito era preparar os crentes para o fim da era judaica, que aconteceria em breve com a queda de Jerusalém no ano 70 d.C.

Os Últimos Dias: Ainda Estamos Neles?

Se você frequenta uma igreja evangélica, já ouviu que estamos vivendo nos “últimos dias”. Essa crença alimenta uma expectativa constante de juízo final, anticristo, catástrofes e arrebatamento. Mas… e se os “últimos dias” já tiverem acabado?

Veja o que a Bíblia diz:

  • “Nestes últimos dias, Deus nos falou pelo Filho…” (Hebreus 1:2)
  • “Filhinhos, é já a última hora” (1 João 2:18)
  • “Está próximo o fim de todas as coisas” (1 Pedro 4:7)
  • “Não passará esta geração até que tudo se cumpra” (Lucas 21:32)

Essas declarações não foram feitas hoje. Foram ditas no primeiro século. Os apóstolos criam firmemente que o fim estava próximo e era o fim da era da Lei, do templo, do judaísmo como sistema religioso exclusivo.

Quando Pedro cita Joel em Atos 2:17 (“Nos últimos dias derramarei do meu Espírito”), ele estava dizendo que aquele derramamento era sinal de que os últimos dias estavam ocorrendo naquele momento. Não dois mil anos depois.

O Propósito dos Dons Espirituais: Capacitadores Temporários

Outro ponto fundamental: qual era o papel dos dons espirituais como línguas, profecias e visões?

Segundo Uismael Freire, os dons não eram selos de salvação nem demonstrações de poder para impressionar plateias. Eles eram ferramentas de transição, concedidas para:

  1. Fortalecer os crentes em meio à perseguição;
  2. Confirmar a autenticidade da mensagem apostólica;
  3. Preparar o povo para a manifestação (parousia) de Cristo.

Efésios 1:13-14 diz que o Espírito era “o penhor da nossa herança até à redenção da possessão adquirida”. Penhor é garantia, é sinal de que algo maior estava por vir. Quando a promessa se cumpre, o penhor é recolhido.

Em outras palavras: os dons espirituais tinham prazo de validade, porque estavam conectados ao tempo da expectativa da volta de Cristo que ocorreu no julgamento contra Jerusalém em 70 d.C..

Falar em Línguas: Evidência de Salvação ou Misticismo Evangélico?

Um dos maiores dogmas do pentecostalismo é: “Quem não fala em línguas não tem o Espírito Santo”. Isso cria, como bem aponta Uismael, uma cultura de exclusão, medo e insegurança espiritual.

Pessoas passam anos “buscando” o dom, fazendo campanhas, jejuns, vigílias, esperando sentir algo… e se sentem inferiores ou até condenadas por não viverem a mesma experiência emocional de outros.

Mas onde a Bíblia diz que falar em línguas é evidência obrigatória de salvação?

Pedro, em Atos 2, não impõe nenhum pré-requisito para o derramamento. O Espírito veio porque era o tempo certo. Não por causa de orações fervorosas. Joel não diz “buscarás o Espírito”, mas “derramarei do meu Espírito”.

A ideia de que é preciso passar por uma experiência mística para “provar” que recebeu o Espírito é, segundo essa análise, uma herança emocional e não bíblica. E acaba sendo uma forma sutil de manipular a fé das pessoas por meio do medo.

O Fim do Mundo ou o Fim de Uma Era?

Vamos desmistificar isso de uma vez: a Bíblia fala sobre o “fim do mundo” ou sobre o “fim de uma era”?

A palavra grega usada frequentemente é aion, que significa período, era, ciclo, e não planeta ou cosmos físico. Hebreus 9:26 diz que Cristo apareceu “no fim dos séculos (aion) para aniquilar o pecado”. E em Hebreus 8:13 lemos: “a antiga aliança está prestes a desaparecer”.

Portanto, o “fim” esperado pelos apóstolos era o fim:

  • Da Antiga Aliança;
  • Do templo de Jerusalém;
  • Da exclusividade étnica judaica;
  • Dos rituais, sacrifícios e liturgias mosaicas.

Esse fim se concretizou em 70 d.C., quando o templo foi destruído por Roma. Era o fim do mundo judaico. E era para esse momento que o Espírito Santo capacitou os crentes.

O Espírito Santo Não Está Sendo Derramado Hoje?

Talvez essa seja a parte mais difícil de aceitar. Mas segundo o ponto de vista preterista, o Espírito Santo já cumpriu sua missão principal.

Ele foi derramado para uma geração específica, num tempo determinado, como cumprimento de Joel 2. Foi o penhor que garantiu a chegada da nova criação, da nova aliança e da nova Jerusalém não visivelmente, mas espiritualmente.

Claro, isso não significa que Deus não atua hoje. Mas o modo como o Espírito operava no primeiro século com dons visíveis, línguas, sinais e profecias tinha um propósito escatológico e não contínuo.

A tentativa de reproduzir esses dons como padrão hoje pode ser fruto de ignorância histórica ou desejo de controle religioso, onde o dom se torna medidor de espiritualidade, e a ausência dele se torna sinônimo de incredulidade.

A Trindade: Tradição ou Revelação?

Um dos maiores choques para quem nunca estudou teologia a fundo é descobrir que a doutrina da Trindade não aparece literalmente na Bíblia.

Ela foi construída ao longo dos séculos e oficializada em concílios, como o de Niceia (325 d.C.) e o de Constantinopla (381 d.C.), sob forte influência do contexto político e cultural do Império Romano.

A perspectiva apresentada por Ismael Freire afirma que essa doutrina foi uma “injeção de paganismo” dentro do cristianismo nascente, que buscava se institucionalizar e agradar diferentes correntes filosóficas.

Para os judeus e cristãos originais, Deus era um só. O Espírito era dEle, não um outro Deus. A divinização do Espírito e sua personificação como uma entidade separada são construções teológicas posteriores.

A Religião Moderna Usa o Medo como Ferramenta?

Infelizmente, sim. Muito do que se prega hoje nos púlpitos não tem base bíblica, mas temor psicológico, manipulação emocional e interesses institucionais.

Ensinar que “estamos nos últimos dias” faz com que fiéis obedeçam mais, doem mais, se sujeitem mais. A culpa e o medo são excelentes instrumentos de poder.

Uismael Freire denuncia que a religião moderna criou uma narrativa onde Deus está sempre prestes a castigar, o Espírito Santo está em falta, e os sinais do fim estão por toda parte. Isso aprisiona a mente e impede a liberdade da graça.

Conclusão: O Espírito Já Foi Derramado. E Agora?

Se tudo o que foi dito aqui fizer sentido para você, talvez seja hora de repensar sua fé. Não no sentido de abandoná-la, mas de purificá-la da tradição e reconectá-la ao texto original.

O Espírito Santo não precisa mais ser buscado como um selo de salvação. Ele já foi derramado, cumpriu sua missão, capacitou os santos para enfrentar o fim da Antiga Aliança. O que vivemos hoje é a plenitude da nova criação, a herança prometida, o Reino espiritual inaugurado.

Cristo não está por vir. Cristo já veio e está em ti.

Quer se aprofundar ainda mais?

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Uismael Freire é pesquisador independente e escritor com dedicação integral ao estudo das Escrituras, especialmente no campo da escatologia. Nascido em 1969, atuou como pastor por mais de duas décadas no meio evangélico, onde desenvolveu profundo envolvimento com a teologia tradicional. A partir de 2014, iniciou uma transição significativa em sua jornada espiritual, passando a estudar o preterismo completo – corrente teológica que entende que as profecias bíblicas, inclusive as do Apocalipse, já se cumpriram no primeiro século.

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