O Que o Rei Leão Tem a Ver com o Evangelho da Graça?

O Que o Rei Leão Tem a Ver com o Evangelho da Graça?

Você É Influência ou Influenciado?

Por: Uismael Freire

Mais do que um clássico da Disney, O Rei Leão esconde uma metáfora poderosa sobre identidade, redenção e liberdade. Simba nasce como herdeiro do trono, mas é afastado da sua verdadeira natureza por influência, culpa e fuga. Ele passa a viver como alguém que não é, guiado por uma filosofia de vida que parece leve “Hakuna Matata” mas que na verdade o afasta do seu propósito. Só quando ouve a voz do pai, por meio do Espírito (representado por Rafiki), ele se lembra de quem é.

Essa jornada espelha a do cristão que, mesmo sendo filho por natureza da graça, vive como escravo da religião. Enquanto a religião diz “prove que é digno”, o evangelho da graça declara: “Você já é filho. Apenas lembre-se de quem você é.” Assim como Simba, muitos estão comendo migalhas, quando nasceram para reinar.

Você já parou para pensar no poder que a influência exerce sobre a sua vida? Vivemos em constante troca com o mundo ao nosso redor, absorvendo comportamentos, ideias, hábitos e até crenças. A grande questão é: estamos influenciando ou sendo influenciados? Em qualquer ambiente, seja familiar, social ou profissional sempre há uma troca de direção, e quem não lidera acaba sendo conduzido. Não existe neutralidade nesse campo.

Essa realidade se torna ainda mais clara quando olhamos para exemplos simbólicos, como o do clássico filme O Rei Leão. Embora seja uma animação, ele nos entrega uma metáfora profunda sobre identidade e influência. Simba, o herdeiro natural de um trono, esquece quem é ao se deixar moldar por aqueles ao seu redor. E, como você vai ver a seguir, isso tem tudo a ver com o que vivemos diariamente.

Ou a gente influencia, ou a gente é influenciado 

Não existe meio termo. Se não é influenciador, é influenciável.

Entende? Isso independe de classe ou posição social. Até o mais nobre, até o mais instruído, pode ser alguém influenciável. No final, nós somos um resultado daquilo que nos cerca.

Você já assistiu o Rei Leão? Eu já pensei muito nessa questão de influência pela perspectiva desse filme. Apesar de ser um desenho, carrega algumas verdades. E essa é uma delas. Simba, ele é filho do rei.

E, portanto, ele é o futuro rei. Por natureza, ele já nasce como símbolo de realeza, nobreza. Ele tem que comer como um leão, viver como um leão, agir como um leão. Não obstante, por causa de algumas influências ao longo da história, ele passa a viver como um porco.

Pumba é um javali e javali é nada mais é do que um porco selvagem, Resumo, o porco ensinando o leão como viver. Ele convence o leão a comer o que ele come, a dormir onde ele dorme, a viver como ele vive. Simba perde a identidade. É necessário o macaco vim conduzir ele ao pai.

E, ao falar com o pai, o pai fala pra ele assim, óh Simba, Lembra de quem você é! Só depois do encontro com o pai, ele recupera a identidade, Entendeu? Mas você já pensou nisso? Um leão vivendo como um porco? Por causa de influência. Foi isso que aconteceu com o Simba. E é isso que aconteceu conosco também. Vivíamos dentro da religião “evangélica” agindo como porcos selvagens sendo filho do Rei.

Lembre-se de Quem Você É: Um Leão Vivendo Como Porco

Você já se sentiu deslocado? Como se tivesse nascido pra algo grande, mas estivesse vivendo uma vida que não tem nada a ver com quem você é? Cara, talvez você seja como o Simba.

Sim, o leão do filme. Parece bobo, né? Mas calma aí, porque O Rei Leão tem uma das metáforas mais poderosas que você vai encontrar pra entender sua própria caminhada espiritual. E se você ler esse texto até o fim, pode ser que descubra que está vivendo como porco… mesmo tendo nascido pra reinar.

Você foi feito pra reinar

Desde o começo da história, Simba é o filho do rei. Ele não precisou fazer um ritual pra ser isso. Ele simplesmente nasceu assim. Por natureza, ele já era da realeza. Só que, depois da morte do pai e de uma série de desventuras, ele começa a andar com Timão e Pumba — dois animais engraçados, mas completamente fora do contexto real dele.

E aí vem a pergunta central: quem está te influenciando?

Porque se você não influencia, você está sendo influenciado. E foi exatamente isso que aconteceu com o Simba. Ele deixou de viver como leão e passou a comer insetos, dormir em tronco de árvore e cantar “Hakuna Matata” com um javali. Ou seja, um porco selvagem ensinando um leão como viver. Tem coisa mais fora do lugar?

“Hakuna Matata” a prisão com cara de liberdade

Essa música virou um hino de “liberdade” pra muita gente, mas pensa comigo: o que ela diz mesmo? “Os seus problemas você deve esquecer. Isso é viver, é aprender…” Parece bonito. Mas é uma fuga. Um anestésico.

SIMBA-E-PUMBA-1024x683 O Que o Rei Leão Tem a Ver com o Evangelho da Graça?

“Hakuna Matata” é tipo aquelas frases bonitas que a religião fala: “venha como está, mas mude pra se encaixar”. Ou “se você jejuar, fizer campanha e subir no monte, Deus vai te aceitar”. Só que, no fundo, você continua com aquele buraco na alma.

Simba estava fugindo da verdade. E você?

O peso da religião: o porco com doutrina

Talvez você tenha nascido em um contexto religioso. Talvez te disseram que você só vai ser aceito por Deus se fizer uma lista de coisas: batismo, ceia, confissão, dízimo, campanha. E aí você tenta. Vai pra igreja, canta, ora, jejua, mas… ainda sente que está comendo coisa que não te satisfaz.

Sabe por quê? Porque você nasceu pra ser filho do Rei, e não pra viver como servo com medo de punição. Você nasceu pra reinar em vida é o que Paulo disse:

“Por causa da ação de um só homem, a morte começou a dominar, por meio desse homem. Mas agora, muito mais ainda, as pessoas que recebem de Deus a sua imensa graça e a sua grande bênção de ser aceito por ele reinarão na nova vida por meio de um só homem, Jesus Cristo.”
Romanos 5:17 (NTLH)

Mas em vez de reinar, você está se arrastando. Vivendo com medo. Esperando que o céu se abra por causa dos seus esforços.

“Lembre-se de quem você é”

Chega um momento no filme em que Simba encontra o macaco Rafiki. E ele representa algo muito importante: a voz do Espírito. Ele confronta Simba, cutuca as feridas dele, e o leva até a presença do pai. Lá, Mufasa diz:

“Você se esqueceu de mim, porque se esqueceu de quem você é.”

Essa é a virada da história. E pode ser a sua também. Talvez você precise ouvir o Espírito dizendo: “Lembra de quem você é.” Porque a religião te ensinou que você precisa correr atrás de Deus. Mas o evangelho diz que você já é filho.

Como diz Gálatas:

“Assim vocês não são mais escravos, mas filhos. E, já que são filhos, Deus lhes dará o que tem guardado para o seu povo.”
Gálatas 4:7 (NTLH)

A crítica aos rituais: tentando conquistar o que já é seu

Uma das maiores mentiras que a religião ensina é que você precisa fazer algo pra se tornar filho de Deus. Como se fosse uma progressão: você é visitante, depois se torna membro, depois discípulo, depois batizado, depois líder… Até um dia, quem sabe, Deus te aceitar.

Mas isso é completamente oposto ao evangelho da graça. Você não vira filho por subir no monte ou por se batizar nas águas. Você crê, e isso basta.

“Todos vocês são filhos de Deus por causa da fé em Cristo Jesus.”
Gálatas 3:26 (NTLH)

Quer dizer que batismo, ceia, jejum, campanha não têm valor? Se for pra tentar conquistar algo de Deus, nenhum valor. Porque como disse o teólogo Martyn Lloyd-Jones:

“A cruz não é uma escada que você sobe. É o ponto de partida da sua nova identidade.”

E o historiador David Bentley Hart afirma:

“O cristianismo primitivo nunca ensinou que rituais humanos garantem acesso a Deus, mas que foi Deus quem garantiu acesso irrestrito a si mesmo por meio de Cristo.”

A influência que nos rouba a identidade

O problema não é só que você está praticando rituais. É que você está vivendo como se não fosse filho. Como Simba comendo inseto, quando nasceu pra caçar antílopes.

Você se acostumou a viver como porco, mesmo sendo leão. Isso acontece quando a influência ao seu redor é mais forte do que a verdade dentro de você.

E o apóstolo Paulo já alertava:

“Não se enganem: as más companhias estragam os bons costumes.”
1 Coríntios 15:33 (NTLH)

O teólogo Gordon Fee comenta esse versículo dizendo:

“Paulo não está apenas falando de amizades, mas das ideias que cercam o cristão e o afastam da identidade que já possui em Cristo.”

O Espírito é quem te conduz de volta

Foi o Espírito que cutucou Simba. E é o Espírito que está te cutucando agora. Não é o pastor, nem a religião, nem o culto de domingo. É a voz de dentro, que te lembra quem você é. Não filho do medo. Mas filho da promessa.

“E o Espírito de Deus se une com o nosso espírito para afirmar que somos filhos de Deus.”
Romanos 8:16 (NTLH)

Quando você ouve essa voz, tudo muda. Você volta ao Pai. Você se olha no espelho e percebe: “Eu estava vivendo como porco, mas eu sou leão.”

Você não precisa provar nada

Esse é o escândalo da graça. Você já é aceito. Já é amado. Já é incluído. Não por merecimento, mas por identidade.

E isso assusta a religião, porque ela perde o controle. Mas liberta o filho, porque ele entende que pode viver livre. Sem o jugo dos rituais. Sem o peso da culpa. Sem tentar se encaixar.

Como diz Brennan Manning:

“A maior mentira que você já acreditou é que precisava se esforçar pra ser amado por Deus.”

E agora?

Agora é hora de deixar o “Hakuna Matata” de lado. De parar de fugir. De encarar quem você realmente é. Você é filho do Rei. Você é leão. Foi chamado pra reinar.

Não viva mais como porco.


Conclusão

Simba voltou ao trono. E você? Vai continuar comendo migalha? Vai continuar dormindo no tronco com medo de errar? Ou vai se levantar, olhar pro alto e ouvir: “Lembre-se de quem você é.”

“Pois vocês não receberam um espírito que os escravize e os faça ter medo novamente, mas o Espírito que os adota como filhos e faz com que clamemos: ‘Aba, Pai!’.”
Romanos 8:15 (NTLH)

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Uismael Freire é pesquisador independente e escritor com dedicação integral ao estudo das Escrituras, especialmente no campo da escatologia. Nascido em 1969, atuou como pastor por mais de duas décadas no meio evangélico, onde desenvolveu profundo envolvimento com a teologia tradicional. A partir de 2014, iniciou uma transição significativa em sua jornada espiritual, passando a estudar o preterismo completo – corrente teológica que entende que as profecias bíblicas, inclusive as do Apocalipse, já se cumpriram no primeiro século.

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