Quem Retinha o Homem da Iniquidade?

Quem Retinha o Homem da Iniquidade?

Por: Uismael Freire

Neste artigo sobre o “Homem da Iniquidade”, o foco está em identificar quem o estava impedindo de se manifestar conforme descrito em 2 Tessalonicenses. Vamos aqui contra argumentar a interpretação tradicional de que o Espírito Santo é o que retém, apontando para o contexto político do primeiro século, especificamente o Imperador Cláudio, como o elemento que impedia a ascensão do Imperador Nero, considerado por ele como o Homem da Iniquidade. A explicação também aborda a natureza simbólica da ideia de sentar-se no “trono de Deus”, interpretando-a como o desejo de ser adorado como Deus e a manifestação de poder e autoridade, ilustrando com exemplos bíblicos e históricos de reis e líderes que buscavam tal adoração. Por fim, vamos refutar a interpretação literal de um trono físico no templo, destacando a impossibilidade geográfica e a ausência de monarquia em Israel nos tempos modernos.

O argumento contra a crença comum de que o Espírito Santo seria quem retinha o homem da iniquidade, eu chamo essa ideia de “baboseira”. O apóstolo Paulo, ao escrever para os irmãos em Tessalônica, afirmou que eles sabiam o que o detinha para que ele se manifestasse a seu próprio tempo.

“Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado.” 2 Tessalonicenses 2:5,6.

A contextualização da escrita da carta de 2 Tessalonicenses nos anos 50 a 53 da primeira era. Neste período, o imperador romano que estava no poder era Cláudio César. A ideia apresentada aqui é que o que impedia a manifestação do iníquo estava ligado ao cenário político da época.

O homem da iniquidade só poderia subir ao poder quando aquele que o retinha caísse. O imperador Cláudio César era quem retinha, e quando ele “cai”, Nero sobe ao poder. A ascensão de Nero após a saída de Cláudio é vista como a revelação do iníquo.

Portanto, quem impedia a manifestação do homem da iniquidade era o imperador Cláudio César, que precisava ser removido (“tirado do meio”) para que o iníquo (identificado por inferência como Nero) pudesse ser revelado.

A marca da besta de forma específica está ligada ao cenário político romano do primeiro século, particularmente ao Imperador Nero.

A marca de Nero é a marca da besta. Essa identificação está diretamente relacionada às ações do Imperador Nero.

Nero cunhou uma moeda com a inscrição “Nero é o senhor” atrás dela. Essa ação é descrita como blasfêmia contra o espírito e contra Deus, colocando Nero no lugar de Deus.

Nero exigiu que essa moeda se espalhasse, e quem não a tivesse não poderia comprar nem vender. Essa moeda substituía as outras e era a única válida para transações na época.

Portanto, a marca da besta, era essa moeda de Nero que continha sua reivindicação de senhorio (divindade) e era essencial para participar do comércio e das negociações da época. Essa “marca” (a moeda/autoridade de Nero) era o que permitia às pessoas comprar e vender.

Nero, portanto, é identificado como o homem da iniquidade revelado após a queda de Cláudio, o que conecta a marca da besta (associada a Nero) à figura do iníquo naquele contexto histórico específico.

Portanto, a relação é que o retentor é identificado como o poder político vigente na época da escrita da carta, era o Império Romano personificado no Imperador Cláudio César. A queda desse poder (Cláudio sendo removido) era o pré-requisito para a manifestação do homem da iniquidade (identificado por inferência como Nero, que exigiu adoração e controlou o comércio através de sua moeda). O cenário político romano do primeiro século, com a sucessão imperial de Cláudio para Nero, é, portanto, o pano de fundo histórico da identidade tanto do retentor quanto do revelado. 

Uismael Freire é pesquisador independente e escritor com dedicação integral ao estudo das Escrituras, especialmente no campo da escatologia. Nascido em 1969, atuou como pastor por mais de duas décadas no meio evangélico, onde desenvolveu profundo envolvimento com a teologia tradicional. A partir de 2014, iniciou uma transição significativa em sua jornada espiritual, passando a estudar o preterismo completo – corrente teológica que entende que as profecias bíblicas, inclusive as do Apocalipse, já se cumpriram no primeiro século.

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